Floria tanto esse ano no jardim que
pensei que iria florir em meu peito
uma borboleta laranja visitava o
jardim seguidamente e por vezes também havia uma branca
escrevi uma carta com aquilo que
dilatava em minha pupila
levei a junto comigo tantas vezes, mas
permanecia distante.
Julguei insensatez, cabisbaixa,
logo após levantei meu tronco corpóreo
esperei distante e apenas um vulto
passou como fumaça
se dispersando entre o que era e o
que podia ser
o foco de palha foi queimando e só
sobrou fumaça se escapando
Floria tanto esse ano no jardim que
pensei que iria florir em meu peito
floriu no jardim da vizinha uma
flor cor de rosa toda espinhosa
aquela carta já me parecia tão
desgostosa peguei-a querendo nunca tê-la escrito
era um assunto tão restrito
que meu peito queimava com tanto atrito
Respirei fundo
me balançava nessa balança
tentando não cair em um mar
profundo
o balanço já estava me dando enjoo
e meu peito já nem sabia mais onde
ficava o porto
Peguei a carta e pensei
que vá para raio que parta
com esse sentimento que já estou
farta
e o querosene do isqueiro era o que
me faltava
queimei a carta.
Floria tanto esse ano no jardim que
pensei que iria florir em meu peito
esperei distante e apenas um vulto
passou como fumaça
se dispersando entre o que era e o
que podia ser
o foco de palha foi queimando e só
sobrou fumaça se escapando.







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