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10 de maio de 2021

Fatos corriqueiros

 



Acordei pela manhã e vesti a roupa como de costume para fazer o que eu precisava fazer. Hoje o dia estava com cara de que ficaria nublado, mas acabou aparecendo um solzinho gostoso. Me senti mais comunicativa hoje do que na maioria dos dias.

Enquanto trabalhava ouvi meu colega atender a ligação de sua esposa e após desligar comentava com outro colega o quanto sua mulher era importante para ele e como ela fazia a diferença na vida dele e o porque ele a amava depois de tantos anos dizendo que se fosse uma outra qualquer sinceramente não se importaria, mas ela se importava. Isso me encheu o coração de um sentimento tão gostoso que não consigo decifrar.  

Quando estava voltando para casa atravessei a rua enquanto um homem parado dentro de seu carro escutava rap em seu som automotivo e esperava a fila de carros a sua frente andar. Vi um motoqueiro que subiu em cima da calçada e se pôs a andar sobre ela no momento fiquei com uma mistura de pensamentos sobre o que ele iria fazer que estava cortando caminho por cima desta calçada. Pensei que pudesse estar com pressa e por isso tinha pegado um atalho, mas foi então que o vi entregar uma espécie de marmita a um dos vendedores dos camelos ambulantes aqui da cidade que estava também sobre a calçada. Acreditei ser um gesto nobre e ousado subir em cima de uma calçada tão rapidamente daquela forma e entregar alimento a um estrangeiro. Já o havia pintado em uma figura heroica pensando se tratar um caso de caridade e meu coração se enchera de euforia com o gesto até ver o estrangeiro contar o dinheiro e pagar pela marmita. Murchei!

 A figura heroica de minha cabeça desmoronou então para se reconstruir em uma nova perspectiva tratava assim de mais um trabalhador que tentava ganhar a vida honestamente como os demais brasileiros o que não deixa de ser menos heroico( um trabalhador buscar o próprio sustento e de sua família), mas mostrava que como sempre são tempos difíceis financeiramente para a população brasileira para ver recursos financeiros sendo dispostos a caridade em um tempo de crise, insegurança e receio do futuro devido a pandemia pela população. No entanto ainda era viver sobre o limite do suficiente (sobrevivência)  e não do transbordante para  se ver um gesto assim tão facilmente.

Ademais nada de extraordinário apenas detalhes simples que achei uma certa graça/ encantamento como uma senhora já com as marcas de expressão da idade esperava o ônibus e deva risada enquanto olhava para o celular. Eu realmente imaginava o que ela poderia estar vendo lá de tão engraçado que a entusiasmava. Achei graça naquele sorriso simples e gracioso marcado com os sinais de expressão que a vida lhe dera. Havia também uma outra senhora de idade que parecia que estava a lagartiar debaixo do sol, isto é, se nutrindo do calor deste se deleitando. E me parecia estar bastante agradável pelo julgar de sua expressão satisfeita.  

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